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Como eu consegui emagrecer

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É muito frequente eu receber mensagens de pessoas desesperadas por emagrecer querendo que eu ensine o caminho das pedras. Sei que é frustrante quando respondo que não existem milagres e que os sentimentos ao longo desse período foram tantos que é difícil explicar como tudo aconteceu!

Já contei como iniciei, em vários textos desenhei pedacinhos da minha história, mas resolvi hoje destrinchar em tópicos o que foi a receita de sucesso para mim! É muito importante lembrar que existem vários caminhos e que o que funciona pra mim pode não funcionar pra você, mas se no mínimo ajudar em seu planejamento ficarei muito feliz!

  • Acreditar: Pode parecer utópico e fácil para quem já eliminou 33 kg, mas isso só aconteceu porque eu acreditei que era capaz! Passei anos achando que nunca conseguiria emagrecer, que era fraca e sem propósitos na vida. Foram muitas segundas-feiras dizendo: hoje tudo vai ser diferente, mas no fundo o fato de não ter conseguido da outra vez me fazia começar já insegura e com medo de não dar certo novamente! Planejava algumas vezes da forma correta (procurando profissionais que pudessem me ajudar, me matriculando em academias) e muitas outras de forma irresponsável (fazendo dietas da internet, dieta das amigas!) Em Setembro de 2012 de frente para o mar em Ubatuba-SP eu decidi que jogaria todas as experiências frustradas fora, que esvaziaria a mente daquilo que não deu certo e substituiria por esperança!
  • Tomar decisões: Não adianta um peito inundado de esperanças sem atitude para que a transformação aconteça. Decidi na mesma época que iria emagrecer em 2013. Por que adiar para Janeiro/2013 o que eu poderia começar em Setembro/2012? Porque eu não estava preparada! Corria o risco de cometer os mesmo erros e não fazer a mudança definitiva. Para que esta acontecesse decidi deixar meu emprego em outra cidade, voltar para casa do meu pai, pois sabia que morar com meus irmãos e pai novamente me ajudaria muito nesse processo. Sei que nem todos podem fazer o mesmo e talvez isso nem caiba na sua história, mas o fato é que é preciso fazer escolhas para que se consiga mergulhar de corpo e alma neste processo. Isso pode incluir afastar-se de algumas pessoas, de alguns grupos, diminuir o ritmo acelerado de vida ou aproximar-se de pessoas e situações que possam  te ajudar.
  • Planejar: Tomei minhas decisões e não comecei desesperada na próxima segunda-feira a dieta da moda ou qualquer coisa parecida! Comecei a pesquisar sobre os nutricionistas da minha cidade, a ler sobre obesidade, dieta, atividade física, passei a fazer parte de um grupo de amigas no Facebook que tinham o mesmo objetivo e comecei a conversar com as pessoas em que me sentia à vontade para falar sobre o assunto. Antes desta abertura eu fugia de todo e qualquer assunto relacionado a emagrecimento. Sabe em festas quando as mulheres se reúnem e começam a falar sobre estes assuntos? Eu saia da rodinha e ia conversar com os homens! (rs) Então agendei a consulta com a nutricionista, procurei os primos ortopedista e educadora física para me auxiliarem nas dicas para caminhada e tracei um plano.
  • Preparar as emoções: Todos esses passos levaram tempo e em Dezembro quando eu já tinha voltado pra casa e anunciado a revolução deu o friozinho na barriga. Foi o mês mais tenso e ansioso pra mim! Eu repetia diariamente pra mim mesma: vai dar tudo certo! Sua vida vai mudar! Você terá que ser forte! Obs: durante todas estas etapas continuava meu sedentarismo e meus ataques à geladeira! Comendo chocolate eu repetia pra mim mesma: você ficará sem ele por algum tempo!
  • Começar: Depois de tudo preparado não existe outro caminho a não ser “se jogar nos novos propósitos”, “mandar ver”! Os primeiro dias foram MUITO difíceis! Eu ficava mais deitada, chorava muito, mas estava preparada, tinha assumido um compromisso e anunciado a quem quisesse ouvir (ou ler!) É preciso pegar a coragem pela mão e agir!
  • Mudar de hábitos: Tive que abandonar temporariamente a minha agitada vida social! Foi necessário para fugir dos petiscos e do álcool! Nessa fase me tornei um pouco anti-social, mas era necessário! Tive que me esforçar para enfrentar a temida atividade física que tanto “odiava”!
  • Utilizar as redes sociais como fonte de inspiração: Os blogs, o perfis fitness do Instagram me ajudaram muito. Seja para conhecer novas receitas ou para ter mais esperanças ao ver histórias de sucesso! E aqui a preguiça tem que ficar de lado! É preciso paciência para ler e aprender coisas novas. O que mais vejo em meu dia a dia são pessoas questionando blogueiras quando a resposta está na descrição da foto, por exemplo! “Pessoas não querem emagrecer, querem ser emagrecidas!”
  • Comemorar cada vitória: Cada grama eliminada, cada centímetro a menos na cintura, cada detalhe era motivo de muita alegria! Vibrava, mandava mensagem para as amigas, sentia orgulho de mim e isso me fazia querer sempre mais.
  • Não bitolar nos modismos: Hoje as pessoas já não comem mais arroz e carne e sim carboidrato e proteína! Bitolam em histórias como cortar glúten e lactose sem necessidade, sem indicação médica ou nutricional. É claro que é preciso ter cuidado com o excesso de sódio, por exemplo, mas equilíbrio acima de tudo para ser feliz!
  • Não desistir depois de uma jaca: Eis um do grandes motivos das desistências dos processos de emagrecimento. A pessoa come algo calórico, comete extravagancias alimentares, se sente culpada e come novamente, muito, compulsivamente e perde o “fio da meda”! Fiz muito isso no passado, mas nesta nova vida, depois de uma jacada tudo volta ao normal e a culpa, quase mínima, é desculpada em vida regrada novamente!

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E fora isso, meus amigos, não exitem segredos ou milagres! O processo é árduo, mas nem tão sofrido quanto eu achava que seria. Há dias mais difíceis que outros, há momentos de fraqueza e desespero, mas há recompensas, vitórias e muitas alegrias!

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Abraços da Fer!

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A história da Letícia (@tilibueno)

Diante de tudo que tenho vivido e de todos os e-mails que tenho recebido pensei que a história da Lê poderia servir de inspiração pra muita gente. Ver a Lê hoje tão linda e sorridente me faz ter muita esperança! Depressão, síndrome do pânico, emagrecimento, fé, luta, coragem, vitória e superação podem ser vistos neste texto lindo, escrito com a alma que me fez ficar com o olhos cheio de lágrimas e com alegria no coração! Segue:

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Como começar? Começarei a destrinchar minha cabeça, coração e alma (até porque tá tudo misturado), por um convite da Fer (sim, a saudável e querida, hoje uma amiga de sentimentos, vontades, mesmo que nos encontremos tão pouco, mas foi o destino que nos uniu, afinal nada é por acaso e nossos assuntos se entrelaçaram!)

Enfim, a Fer me pediu pra falar um pouco sobre minha experiência com alguns assuntos da vida! E claro, com prazer, desde que alguma pessoa se identifique e leve alguma palavra pro coração, já ficarei feliz!

Sabemos que ninguém está livre de doenças da alma, certo? Até mesmo os mais incrédulos e frios, por algum motivo já sentiram esse tipo de dor, porém o grande X da questão é como lidar com isso.

Sempre fui uma menina atenta, observadora, tímida, mal sabia lidar com algumas situações estranhas, mas tinha muita curiosidade e vontade! Cresci um pouco introspectiva, porém sempre alegre (acho que isso veio de sempre) e com a cabeça a mil! Peculiaridades da minha personalidade.

Como fui uma pré adolescente acima do peso, já tinha inúmeros complexos que me assombravam e até que então, numa bela fase da minha vida resolvi emagrecer sozinha. Inconsequente ou não, cheguei a ter sintomas de anorexia. Não durou muito para que os problemas de adolescente viessem a tona e eu voltasse a comer errado. Levei alguns anos de minha vida pra fazer uma reforma íntima e é sobre esta fase que irei falar.

Entrei na faculdade e fiz um curso difícil e maravilhoso, sou farmacêutica e bioquímica. Era bastante atenciosa e adorava estudar madrugadas a fora. Formatura chegou e eu tinha um destino traçado muito diferente,

Me casei, fui morar na Bahia e ali começaria a viver por mim mesma e por uma nova família, a que havia escolhido pra formar no decorrer da vida, com muito amor. Lugar de pura alegria, fiquei por pouco tempo, mas já tive aprendizado intenso, morar 1400 km longe dos pais, cultura maravilhosa, mas muito diferente, clima quente, trabalho novo, rotina desconhecida!

Fomos embora pro interior de São Paulo e ficamos o período das provações.

Enquanto estive em Campinas trabalhei, estudei e me perdi dentro de mim, ou melhor, descobri que não gostava de ser como era (me sentia feia, acima do peso, culpada, frustrada e frágil). Precisava resolver assuntos que tinha pendente comigo mesma.

Comecei com crises de pânico que me levaram duas vezes ao hospital, com diagnóstico de Síndrome do Pânico e depressão.

A dor veio chegando de mansinho, até que um dia ela me derrubou literalmente de joelhos de frente a um oratório que tinha em casa e ali chorei a dor da alma e a lavei com lágrimas da mais pura e intensa dor, a minha dor. A dor que eu causara, a dor que eu deixei entrar.

Claro que foi uma junção de fatores, mas por minha máxima culpa deixei entrar o que de mais obscuro pode existir, a depressão.

Até então, sabia que era um sentimento ruim, que algumas pessoas tinham por um período, por uma vida, por momentos, mas não tinha nem ideia de como seria de fato na pele.

Foram 15 dias de tentativas de medicamentos, por ironia do destino, um farmacêutico sabe que estes remédios são necessários nestes casos, mas podem ser cruéis, pois demoram a fazer efeito de fato e podem aflorar alguns sintomas pelos quais você quer combater. Afinal, queria deixar de sentir tristeza profunda logo!

Minha mãe, anjo, amor maior, me fez companhia, pois eu não suportava ficar sozinha, enquanto o marido trabalhava. Ela me ensinou artesanato e me fez ocupar as mãos e a cabeça, e também o coração. Minha família sempre ao meu lado e um marido guerreiro e maravilhoso, que não desgrudou da minha mão um sequer instante de fragilidade.

Mas não basta ter pessoas maravilhosas, você precisa lutar por você e contra você mesmo em momentos de angústia.

Cheguei inúmeras vezes a falar que me culpava por ser simplesmente feliz, por me sentir inútil e não saber minha real missão na vida.

Ali já era Deus me mostrando que estava tudo na minha frente, mas eu fazia questão de não ver.

Fiz um longo tratamento com psicotrópicos e psicóloga, tratei meu medo, com injeções diárias de coragem, desde tirar carteira de motorista ao menor gesto de comer em um lugar público com amigos. Sim, daí que resolvi que na vida precisamos de amigos, de família, de amor puro e desinteressado.

Fiz alguns amigos e ele foram importantes na minha melhora, mas só porque eu permiti que eles fizessem isso, sem nem eles perceberem eu lhes dei a chance de ver quem eu era.

As injeções de coragem foram se tornando corriqueiras, quis parar de tomar remédio (até porque meu maior medo era ficar com felicidade dependente, sei que medicamentos são necessários, mas se puder viver sem eles, melhor!), então tinha que achar serotonina em outro lugar, entrei na academia e fazia aulas que tinham contato com pessoas, como hidroginástica, por exemplo.

Enfim, quase me mudando de Campinas, 1 ano depois de diagnosticada com depressão e pânico, recebi alta da psicóloga.

Consequências de tudo, sempre ando com medicamentos que são meu botão vermelho anti medo, anti estresse na bolsa, mas nunca tive que fazer uso, mas fico segura em tê-los.

Procurei me reformar de acordo com princípios de Deus, incrível como Ele tem a chave da vida e de como lidar com amor.

Vim morar no Estado do Rio de Janeiro e passei a observar o jeito despojado de levar a vida.

Resolvi fazer tudo aquilo que gostava.

Entendi que tudo depende só de mim e não de circunstâncias.

Admiti que precisamos uns dos outros como correntes de ajuda.

Amadureci e a dor passou.

Hoje, como quem conhece esta dor, não quero jamais topar com ela, mas ela que se atreva, pois nada entra se não dermos passagem, ou ao menos frestas de fraqueza.

Tenha pensamentos elevados, ore, vigie, não ouça aquela voz estranha e má no seu ouvido, deixe espaço pro puro e sincero.

Seu anjo da guarda trabalha incansavelmente com você.

Enfim, este ano faz 3 anos que estou bem, com altos e baixos como qualquer um, mas dona de mim mesma e sabendo lutar contra os medos e inseguranças que sempre vem e contra tristezas que a vida traz de bandeja!

Agora vem a parte que voltei a conversar com a Fer, pelo Instagram, apesar de sermos da mesma cidade e com amigos em comum não éramos amigas. Comecei a admirar seu novo estilo de vida, pois também precisava de um ponta pé pra lutar pra ser quem eu verdadeiramente queria ser.

Em 1 ano fortalecemos nossa amizade, com incentivos e vontade que atingíssemos nossos objetivos.

Conseguimos hein Fer? Temos saúde e disposição, beleza também, não é? E o maior de tudo, temos um laço de solidariedade! Hoje somos pessoas maiores!!!! Quem diria? Se o intuito era perder peso, como podemos ser maiores? Vai entender? Somos maiores de alma, de coração, de aprendizado, de conquistas! E não se trata apenas de perder peso, se trata de realizar sonhos.

E a vida é impulsionada por isso, por esperança.

Agora viram porque as pessoas saem da depressão? Por terem pensamentos de fé, otimismo, alegria e esperança!

Tente olhar a vida com amor, com brilho e com vontade.

Algumas vezes você vai encontrar adversidades, algumas não, muitas vezes, alias você vai viver sustentada por um fio num penhasco que te puxa, mas este fio que sustenta se chama amor, companheirismo, amigos, família, otimismo, Deus, fé e trabalho.

Um dia tudo fará sentido. E não passamos por nada que não devemos e por nada que não podemos vir a suportar.

Paz de espírito e coração desacelerado. É o que desejo a você.

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A Letícia iniciou sua reeducação alimentar em março de 2013. Em 1 ano emagreceu 22 kg e está esbanjando beleza, alegria e auto-estima! Para quem quiser acompanha-la, diariamente ela posta suas rotinas alimentares e de atividade física no Instagram como @tilibueno.

 

Abraços da Fer!

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A cura da alma

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Até os meus 18 anos minha mãe cuidou de mim! Sempre muito severa, mas cheia de agrados e me preservando do mundo! Dos 19 aos 23 eu cuidei dela! À medida em que seu câncer avançava aumentavam bruscamente minhas responsabilidades que até então eram: lavar as louças somente aos finais de semana, tomar conta da minha irmãzinha, ser uma boa menina e ter boas notas na escola!

A maior responsabilidade começou com a irmã que dos seus 5 aos 9 anos teve que conviver com cirurgias, internações e as consequentes ausências da mamãe, sondas, medicamentos, cabelos caídos e lágrimas de dor. A faculdade de Psicologia e principalmente a própria mamãe, quem passava por todo o processo da doença, me ajudaram muito para que eu fosse o suporte da pequena. Nos tornamos muito amigas, brincamos muito, tive que responder perguntas que eu não sabia a resposta e tive que prepara-la para algo que eu não estava preparada: a morte!

Nestes 4 anos eu passei pela transformação de ter minha mãe como referência, como a maioria dos adolescentes costumam ter “manhê, o que eu faço?” para ser uma de suas referências: “filha,estou sentindo dor, o que eu faço?” E assim vivi a grande oportunidade de retribuir um pouquinho (mesmo que seja mínimo) de tudo que ela fez por mim. Retribui alguns dos banhos que recebi quando bebê. Fui apoio para os seus últimos e difíceis passos, que se assemelhavam aos meus primeiros passos de criança. Ajudei-a a formular frases e lembrar das palavras que ela mesma tinha me ensinado, mas a doença a fazia esquecer. Perdi noites de sono curando suas febres e dores, provavelmente nem um milésimo das tantas noites em que ela ficou acordada por minha causa!

Foi neste mesmo período que entendi que a comida não brota na mesa, que a casa não funciona sozinha se não houver um planejamento, normalmente sempre muito bem feito por uma grande mulher. Neste tempo ela continuou cuidando de mim de forma incrível! Enquanto estava deitada em meu colo arrumando uma posição para aliviar a dor, dava conselhos sobre um namoro recém acabado e me ensinava todos os dias as mais ricas lições que pude aprender.

O momento de sua partida foi de muita dor e me trouxe novas responsabilidades: a irmã aos 9 anos não tinha mais mãe e o pai estava em depressão. (o irmão morava fora durante todo esse período e sempre foi meu abastecedor de energias!) Os primeiros 2 anos foram muito intensos e difíceis e eu me dediquei totalmente a eles, quase abrindo mão de mim mesma.

Essa história todos conhecem muito bem: a esta altura eu já pesava muitos kg e vim a pesar muitos outros mais.

Aos 25 anos resolvi cuidar da minha vida profissional, mudei de cidade, vivi experiências incríveis, aprendi a viver a distância e a administrar problemas por telefone! Comi ainda mais e cheguei ao meu ápice de obesidade! Então foi quando resolvi transformar minha vida!

Abandonei emprego, voltei para casa do pai, criei o fersaudável, emagreci 30 kg, cuidei muito bem do corpo e passei a ser referência para tantas outras pessoas.E aí quando tudo parecia “mágico e perfeito”, quando parecia ser o momento em que eu me sentiria melhor, vieram as dúvidas, o vazio, as angústias.

Logo pensei: “essa coisa do ser humano sempre querer ir além! Acalme-se, Fernanda! Em 2014 vamos terminar de emagrecer e você se sentirá ainda melhor!” Mas isso não foi suficiente! Primeiro vieram as tantas gripes e viroses, depois a gastrite, as alergias por todo o corpo, o sono incontrolável durante o dia e agitadíssimo durante a noite, a vontade de ficar em casa, o desânimo, os choros, as dores no peito e a vontade de sair correndo sem saber pra onde. Era a depressão! E para a onipotente Fer saudável entender que ela, psicóloga, sempre sorridente, super festeira era a depressiva da vez foi um momento difícil e delicado! Eu não queria ver, não queria aceitar!

E hoje, em que me encontro em tratamento (buscando vários caminhos possíveis), exatamente agora 08/03 as 05:34, quando acordei com vontade de escrever, eu entendo que 2013 foi o ano da cura do corpo e 2014 será a cura da alma! Não há como cuidar de um, deixando o outro de lado. O copo da alma transbordou, depois de muitos restos: de mágoas, de fracassos, de não aceitações, de frustrações e decepções. E agora estou tratando de esvazia-lo para voltar a enche-lo de coisas boas!

O processo é árduo! Ontem eu tive um dia incrível e a noite foi dolorida e chorosa. Mas são os altos e baixos que dão sopro de energia à vida, fazendo-a girar! O Fer saudável não vai falar agora somente sobre depressão, mas a cura dela está ligado ao propósito do mesmo: ser saudável. Antes eu procurava e compartilhava a saúde do corpo e agora procuro e compartilharei também a saúde emocional. E para quem quiser trocar experiências e não quiser se expor nos comentários, conte lá no e-mail: fersaudavel@gmail.com

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A história da Flaviane

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E hoje é um dia especial, dia de contar a história da minha querida amiga/prima Flaviane (@flaviane_rsc)! Ele esteve comigo durante 2013 e foi uma das minhas grandes incentivadoras! Nossa história pode ser lida AQUI.

Segue o lindo depoimento da Fla:

Bem, contar a minha história não é tão difícil. A verdade é: Eu seeeeempre fui gordinha! Eu não me lembro de nenhuma fase em que eu estivesse com o corpo ideal. Mas, eu sempre fui daquelas gordinhas ativas, na adolescência eu adorava jogar futsal e no colégio adoraaaava a educação física! Depois disso, assim que eu consegui um emprego a primeira coisa que eu fiz foi me matricular na academia, ou seja, nunca fui sedentária. Sempre andei muito à pé, e teve uma fase em que eu vendia meu vale-transporte e ia caminhando pro trabalho.

E aí você me pergunta: E como sempre foi gordinha?!?! O problema é que eu sempre gostei de comer. E sem nenhum receio eu sempre comi e comia muito. Se me perguntasse o que mais me dava prazer na vida, com certeza era comer, eu respondia sem titubear. E não achem que eu era daquelas que comia escondido não, eu comia com orgulho, voltava na panela pra repetir, nunca tive vergonha de pegar o último pedaço que sobra sabe, aquele que todo mundo receia em pegar? Então, era sempre meu! E sempre adorei doces!!!!

Eu sempre falei que malhava pra comer. E falava isso em alto e bom som, batia no peito de orgulho disso, e se alguém vinha com assuntinhos saudáveis eu fazia piadinhas pra desmotivar o assunto, porque eu não tinha a mínima vontade de deixar pra trás meu brigadeiro de colher, meus sanduíches imensos e minha alimentação exagerada.

A verdade é que meu peso nunca abalou muito minha auto-estima. Ou melhor, na verdade eu já havia me acostumado com o fato de que eu era a amiga gordinha das pessoas, então tirava proveito das outras qualidades que eu tinha. E nunca imaginei ser possível ter um corpo diferente, porque achava que era genético, que eu sempre teria aquele tipo físico porque pra mudar isso seria muito difícil e eu não estava a fim de fazer sacrifícios pra isso.

Depois que comecei a namorar, e comecei aos 20 anos, a coisa então ficou ainda mais simples. E eu e o namorado (que é meu atual marido) adorávamos comer bastante, não bastasse isso, tenho uma sogra que vivia fazendo todas as guloseimas que eu amo! Ou seja, minha vida sempre foi muito cômoda, eu tinha um namorado que também era gordinho, uma auto-estima estável pra uma gordinha de 1,60m e mais de 70kg (porque depois que entrei nos 70kg lá pelos 19 anos eu nunca mais saí).

Em 2009 eu passei por uma cirurgia em que tirei dois tumores benignos do ovário (teratomas), depois da cirurgia eu tinha emagrecido bastante, já que foi uma cirurgia muito invasiva (pois não pode ser feita pela vídeo laparoscopia), tive que tomar anestesia geral e a recuperação foi lenta. Depois que isso passou eu estava me achando linda, mas sabe como é cabeça de gorda, ao invés de ir mantendo aquilo, eu simplesmente achei que podia aproveitar e comer como se não houvesse amanhã, MAS TEVE!

E aí eu voltei a ser aquela gordolinha de sempre. Porém, por algum motivo eu comecei a engordar ainda mais, e depois disso meu corpo nunca mais foi o mesmo e lá estava eu com 76kg e bem infeliz isso. E foi então que no finalzinho de 2009 eu tive a brilhante ideia de tomar sibutramina! Parabéns pra gordinha aqui que queria uma fórmula mágica! E lá fui eu, sem ter passado por um médico, começar a tomar aquele veneno.

Claro que fez efeito, em um mês e meio, eu tinha perdido 9kg. Fui pros 67kg, minha auto estima bateu no teto e meu psicológico ficou completamente perturbado. Além da sede extrema que eu sentia, as tonturas e as dores de cabeça constantes, eu fiquei uma louca. Brigava com o namorado todos os dias, chorava, gritava, ia de um extremo ao outro em segundos. Bem, meu relacionamento não resistiu e eu terminei com o namorado (pra depois de 8 meses voltar com ele e me casar!!!). Tomei o remédio só por um mês e meio, porque eu realmente me sentia muito mal, eu tinha todos os efeitos colaterais.

Me matriculei numa academia nova, pra mudar de ares e tentar emagrecer, já que estava solteira, mas o mais engraçado é que a cada nova avaliação, eu tinha engordado e minhas medidas só aumentavam, então o que eu fiz? Parei de fazer avaliação por uns tempos! Bela ideia né?! #sóquenão

E assim, em 8 meses solteira, saindo com as amigas sempre, bebendo muita cerveja e comendo muita besteira, no final de 2010 eu já tinha recuperado os 9kg (e o namorado! Graças a Deus!!!)

Passei o ano de 2011 brigando arduamente com a balança. Porque ela só subia. Cheguei aos 77kg e toda vez que a balança chegava ali e minhas calças 44 não serviam mais, eu dava um jeito de tentar emagrecer um pouquinho, porque eu me recusava a comprar calças 46, embora isso tenha acabado acontecendo. E foi aí que eu resolvi procurar uma nutricionista (que é muito mais do que só minha nutri, virou minha psicóloga e minha grande amiga e nutricionista de um tanto de gente, inclusive da Fer).

A verdade é que nesse momento eu não queria mais ser a gordinha. Eu não queria ser gorda pra sempre, queria ao menos sair da casa dos 70kg, porque isso me incomodava muito e além disso meu percentual de gordura sempre dava próximo da obesidade, eu cheguei aos 44%.

Só que era muito difícil pra mim ter que sacrificar as comidas que eu tanto gostava pra ter o corpo que eu imaginava. E na verdade eu nunca tive a pretensão de ter um corpo de panicat, eu só queria sair dos 70kg.

Mesmo depois de ter começado acompanhamento com a nutri, eu não conseguia seguir em frente e sempre me deixava levar, comia muito e tudo errado. Até conseguia às vezes emagrecer 3 ou 4kg, aí eu sumia das consultas e recuperava tudo outra vez.

No começo de 2012 eu decidi pegar firme na academia, já que tinha ficado noiva, comecei a fazer todas as aulas possíveis, fiz body combat, funcional, pilates solo e resolvi correr. Calçava o tênis e arrasava na esteira. Só que a espertíssima aqui, esqueceu de fortalecer os músculos e um belo dia senti fortes dores no joelho e tive que parar com tudo.

Em maio meu noivo recebeu uma proposta de vir trabalhar em Goiânia e então decidimos (tá, eu que decidi) que o casamento seria em outubro (ou seja, eu tive 3 meses pra organizar um casamento), e foi então que eu procurei novamente a santa nutri!!! Eu estava pesando 76kg e precisava diminuir isso consideravelmente.

Saí da academia que estava e fui para um estúdio onde comecei a fazer pilates e spinning, pois não forçavam o joelho e eu estava me sentindo ótima. Também conheci o yoga através da nutri linda e comecei a cuidar de mim também por dentro.

No dia do casamento eu estava pesando 72kg e estava me sentindo linda. Foram meses de muita tensão, muita correria, mas eu estava infinitamente feliz no dia do casamento, sem neuras, porque o vestido tinha ficado bom.

Uma semana depois, estava eu em Goiânia, uma cidade linda, num prédio lindo que tinha academia e eu? Não conseguia ter um pingo de ânimo pra ir malhar. Até porque cada vez que eu tentava, o joelho reclamava muito.

Eu tinha ficado meses tão estressada com o casamento que tudo que eu queria quando cheguei na vida nova era aproveitar cada segundinho, e claro, comendo! Eu e o maridão comíamos e bebíamos a vontade. Fomos conhecer bares, restaurantes e a nossa diversão era comprar cerveja e ficar em casa, eu fazia uma carne com bacon e queijo que ficava maravilhosa e assim os meses foram passando. E eu, correndo da academia e da balança.

Em dezembro de 2012, quando voltamos pra Varginha pra passar o Natal (apenas 2 meses depois de ter me casado), é óbvio que todo mundo percebia que eu tinha engordado, mas eu estava tão feliz, com um sorriso tão escancarado porque minha vida de casada estava realmente muito boa que meu peso passou sem maiores comentários, pois eu tinha muita novidade pra contar!

Mas, eu e as 3 musinhas que vocês conhecem bem aqui no blog (Fernanda, Alyne e Ane), em uma das muitas conversas que tivemos estávamos de acordo que o nosso peso não estava nos agradando! Que queríamos mudança para 2013.

Eu cheguei em Goiânia depois do réveillon e nenhuma roupa me servia, aquilo me deprimia tanto, mas tanto, que eu não tinha vontade de sair de casa. Cada vez que eu precisava sair era uma tristeza.

E as dores no joelho me impediam de voltar pra esteira e isso me deixava muito triste, porque eu não conseguia malhar e com isso também não tinha ânimo pra deixar de comer. E virou uma bola de neve.

Foi quando em 17/01/2013 eu resolvi subir na balança da farmácia e lá estavam: 79,6kg! Eu queria chorar! Meu marido estava comigo e até ele fez um minuto de silêncio quando viu o peso. Eu tinha engordado 7kg desde o meu casamento, ou seja, em menos de 3meses.

Vi que tinha mesmo que tomar uma atitude. Foi quando eu entrei na hidroginástica pertinho de casa e decidi seguir a dieta que minha nutri lá de Varginha passou pra mim (não é a toa que eu a amo tanto né, como já me conhecia, bastou um papinho pelo face pra ela me dar as dicas!!!!). E lá fui eu, fazendo aulas de hidro 3 vezes na semana, fazia bike na academia do prédio, malhava braço (já que o joelho ainda estava me dando trabalho) e comia direitinho como a nutri mandou.

Foi então também que entrei no instagram, principalmente pra acompanhar a @fersaudavel e lá conheci pessoas fantásticas, que me incentivavam todos os dias.

Eu e a Fer tínhamos conversado uma vez sobre nossos hábitos alimentares e nossa compulsão e descobrimos que éramos muito parecidas nesse aspecto. E eu via essa minha amiga linda lutando contra a obesidade e emagrecendo, muitas vezes foi dolorido pra ela encarar tudo isso, mas o que eu pensava era: será que eu vou precisar chegar onde ela chegou pra me dar conta de que é NECESSÁRIO mudar isso? Porque nisso tudo, meu colesterol estava lá em cima, eu tinha muitas dores no joelho e via que a tendência era piorar. Quando eu vi essa mulher guerreira nessa luta, eu pensei que era não só por mim, mas também por ela, porque eu tinha muito orgulho da mudança que eu via, mesmo de longe eu pude acompanhar muito de perto e a gente ia caminhando juntas, aquilo mexia muito comigo e me levava pra frente.

Foi lento, apesar de muitos acharem que foi rápido, cada quilinho pedido foi muito suado, foi com abdicação de coisas que eu gostava muito e que eram minha válvula de escape sempre. E distante 1.000km da minha família e dos meus amigos, teria sido muito mais fácil se eu tivesse continuado a descontar na comida. Mas a verdade é que a gente não está descontando na comida, está descontando NA GENTE MESMO! Está acabando com o nosso corpo achando que está fazendo algo super normal. Mas não é normal. Normal é cuidar bem de si mesmo.

Em uma das conversas com a Fer, no começo desse processo todo, ela me perguntou qual era a minha meta, eu falei que era emagrecer 10kg até o final do ano, porque eu não conseguia mais sair da casa dos 70kg, e quando tinha saído em 2009 tinha sido com remédio, o que tinha me feito muito mal.

E quando fui emagrecendo, fui vendo que era possível chegar à minha meta muito antes. Eu iria voltar pra Varginha em junho, então me propus a chegar aos -10kg antes de ir pra lá. E qual foi minha surpresa quando, um dia antes de viajar, eu tinha conseguido chegar aos 69kg! Foi muito bom poder rever minhas lindonas, todas as 4 estavam bem mudadas e extremamente felizes!!!!

Lá em Varginha foi muito difícil manter o foco. E lá enfiei muuuuito o pé na jaca, principalmente no aniversário de um ano do meu sobrinho, já que era por isso que eu estava lá. Quando voltei, depois de 21 dias com a família e os amigos, confesso que foi complicado voltar ao ritmo.

Por isso, em agosto procurei uma nutricionista aqui em Goiânia pra me acompanhar de pertinho.

Em setembro/outubro voltei a Varginha, voltei a enfiar o pé na jaca e voltei a engordar uns quilinhos. Confesso que nesse meio tempo, quando voltei pra casa eu tive vários momentos de desânimo. Eu poderia ter tido melhores resultados, claro, mas isso aconteceu e eu sei que esses momentos ajudaram a me conhecer melhor, conhecer minhas fraquezas.

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Hoje estou com 67,3kg. Eu queria ter chegado aos 65kg até o Natal, mas como estamos a uma semana de eu viajar outra vez, estou vendo que isso não foi possível (pelo menos até agora). Mas estou feliz com meus resultados, pois as medidas diminuíram demais, estou com um percentual de gordura de 29% (vou fazer avaliação essa semana então isso pode ter mudado também).

Hoje sou outra pessoa.

E não foi apenas pelos 12kg a menos. Mas foi por mim. Por tudo que eu fiz pra mim nesse ano. Foi um ano incrível de me descobrir, de descobrir pessoas e de descobrir situações que eu nunca havia conhecido. São menos 12kg no corpo e menos toneladas na alma!

Hoje eu voltei a correr e com os quilos a menos aos poucos as dores foram embora, isso pra mim já é gratificante!! Meu objetivo para o próximo ano é participar de provas de rua. Hoje estou sendo acompanhada pelo meu coach que é sensacional (@sanpalma da CMTeam) e quero seguir em frente, aos poucos colocando minhas metas.

2014 já vai começar cheio de novidades, pois estamos de mudança outra vez! Dessa vez estamos indo pra SP! Casa nova, nova rotina, mas sem me esquecer de tudo que já conquistei até aqui. Pois é isso que me faz seguir em frente!

E vamos juntos, porque é possível! Não existe fórmula mágica! É com muita dedicação, muito esforço e muito AMOR PRÓPRIO!! Porque é isso que nos faz ignorar qualquer opinião que nos leve pra baixo e seguimos em frente!! Por nós mesmos!!!

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De repente trintei…

E ao blog voltei! rs

Nanda

Estive alguns meses distante daqui por falta de tempo e inspiração. Escrever sempre e manter um blog tendo que acordar cedo e trabalhar o dia todo (em algo totalmente diferente) não é tarefa fácil, mas não é impossível e por isso voltei! Não desisti dos meus objetivos! Quem me acompanha no Instagram (@fersaudavel) sabe que continuo postando minha rotina por lá. O ritmo de emagrecimento diminuiu, conforme a lei natural da vida, mas lá se foram 33 kg em 11 meses!

Hoje completo 30 anos! Dizem que esta é a idade do sucesso para uma mulher. Realmente não troco a maturidade de hoje pela insegurança da garota de 18, mas acho mesmo que a fase mais interessante na vida de qualquer pessoa é aquela em que se faz as pazes consigo mesma! Brilho nos olhos, amor próprio e paz no coração fazem qualquer pessoa ter uma beleza irradiante em qualquer idade!

Curiosamente me retratei com os meus sonhos ao aproximar dos meus 30 anos! Fiz a faxina interior, enxerguei o futuro, trouxe carinho aos meus dias e me tornei uma pessoa mais jovem e muito mais leve (literalmente!) com o aumento, inevitável, dos anos!

Diariamente pessoas descobrem que eu pesava 33 kg a mais, seja no meu convívio ou principalmente através das redes sociais onde compartilho esta transformação. Entre tantas perguntas e afirmações nunca sei como responder ou até me “defender”! Normalmente a pergunta inicial (quase antes do: olá, tudo bem?!) se reveza entre “O que você fez?” e a clássica “Você fez cirurgia bariátrica?!” E no embaraço das minhas respostas e da dificuldade de provar para alguns que NÃO FIZ A BARIÁTRICA (com todo respeito que tenho por quem a fez, mas é só uma questão de verdade: eu não fiz!!!) chovem outras mil perguntas e afirmações: “Foi só de boca?” “Você come pão?” “Qual regime você fez?” “Você tomou remédio?” “Você é outra pessoa!” “Aquela não era você!” “Queria tanto ter a sua força de vontade!” “Você é uma guerreira!”

Guerreira? O significado no dicionário: “Pessoa forte e capaz, que vence os desafios, aquela que não desiste.” É, acho que sou sim uma pessoa guerreira! E por que cheguei aos 105 kg? Antes eu era fraca, e depois? Adquiri esta força?  A força sempre esteve dentro de mim, eu só não sabia usa-la! Não praticava e por isso não tinha essa habilidade. E a prática só veio quando me encarei e coloquei as cartas na mesa: quero ou não ser feliz? Quando realmente aceitei o sim, sabendo que para te-lo teria que viver muitos desafios, a mudança aconteceu.

É muito subjetivo falar sobre sonhos e transformações para quem não enxerga a luz no fim do túnel. É lindo falar de mudanças e sonhos quando na prática dói ficar sem chocolate e é super sacrificante mudar hábitos de anos de compulsão. Entretanto, por mais que eu saiba que possa ser frustrante para alguns, a única resposta possível à primeira pergunta é: mudei meus comportamentos, minha mente, fiz as pazes comigo mesma e encarei a fórmula mágica: reeducação alimentar e atividade física!

Aos que estão trilhando o caminho da mudança peço que insistam, continuem, pois vale muito à pena! Aos que já trilharam, agradeço do fundo do meu coração por terem me provado antes que seria possível! E aos que estão sentados na porta, desanimados, mas com vontade de entrar, questiono: a luz é pequena, a chama quase se apaga, mas ela existe, não é? Eu sei que ela existe! Por mais que tenhamos nos afastado de acreditar numa mudança, carregamos os sonhos no coração, por isso converse com o seu e não desistirá!

E hoje eu quero mesmo é um bolo de chocolate bem caprichado, uma cerveja gelada e comemorar! Obrigada por estarem comigo! E sim, não serei modesta em dizer: Parabéns pra mim!!!

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A história da Ane

Estão lembrados da Ane, uma das minhas amigas que emagreceu comigo?
Pedi que ela contasse melhor pra nós sobre seu processo de transformação, e ela que sempre escreveu super bem, arrasou nas palavras! 

Ela estava preocupada com o tamanho do texto, que realmente ficou extenso, mas VALE À PENA CADA SEGUNDO DE LEITURA! Me senti tocada profundamente quando ela fala sobre a definição de A-COR-DAR e me vi na frase: “Mas, principalmente, internalizei a mudança: aquela Ane não cabe mais aqui.” ♥♥♥

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Recebi o convite da minha amiga Fernanda para fazer um depoimento sobre a minha transformação. Prontamente aceitei o desafio, afinal, hoje me sinto segura e tranquila para expôr questões que há oito meses atrás provavelmente eu não assumiria tão fácil. Na verdade, no auge do meu “um quarto de século”, hoje posso afirmar: estou cada dia mais próxima de ser quem eu sempre quis (e que nunca imaginei que seria).

Os primórdios da minha relação com meu corpo

Meu corpo nunca foi um amigo. E quando eu digo ‘nunca’, isso vem desde quando me conheço por gente. Mesmo ainda criança, não ficava à vontade em um vestido curto. Achava minhas pernas feias e que todos iam me observar e ridicularizar, pois eu usava óculos fundo de garrafa, aparelho nos dentes e era magrela. A verdade é que eu me sentia de fato um patinho feio.

Na adolescência este desgosto piorou consideravelmente. Não preciso me estender nessa explicação, pois obviamente nesta época da vida nos sentimos mais dependentes de opiniões e julgamentos da turminha do colégio. Pra mim era um inferno escolher uma roupa bacana para ir ao churrasco da sala. Minhas colegas de shortinho e vestidinho, e eu sempre de calça jeans. Nas festas com piscina eu era aquela que ficava escondida no quiosque com a desculpa de estar menstruada. Enfim, todo o meu guarda-roupa tentava cobrir o que eu achava feio em mim.

O tempo foi passando e a minha autoestima piorando. Por fora raramente eu me mostrava insegura, afinal, sou uma leonina cheia de pose! Descontraída, com um ar de sabe-tudo, bem resolvida e dona de mim. Quem poderia imaginar que por dentro a Ane chega a ser tão frágil e complexa quando o assunto é o espelho? Apenas pessoas muito próximas – melhores amigos, família e namorados – que vivenciaram tantas neuroses e sofreram junto comigo é que entendem que a casca é bem diferente do miolo.

Quando entrei na faculdade, comecei a trabalhar, ganhar meu dinheiro e ter um início de independência que foi um prato cheio para ser baladeira de carteirinha! E realmente eu fui. Aproveitei muitas festas – tive a fase da rave e da micareta. E nesses carnavais da vida, obviamente o estilo de se vestir é leve, solto! Me sentia uma ET usando calça jeans, mas era muito raro ter a coragem de me aventurar num shortinho. Eu afirmo com clareza que NUNCA ME IMAGINEI ME SENTIR BEM EM UM SHORT. Eu olhava aquelas meninas com pernas lindas nas baladas e pensava com convicção: “ISSO NUNCA VAI SER PRA MIM”. Claro que diversas vezes ouvi de meninos, amigas, namorados que não havia nada de errado com meu corpo. Era a mesma coisa de falar com uma porta. Pra mim tinha algo errado, tudo estava errado.

A alimentação inconsequente e o sedentarismo

O que conto aqui não é novidade pra ninguém! Todas as pessoas que lutam contra a balança passam pelo mesmo problema: uma péssima alimentação e o total descaso com atividades físicas. Refrigerantes, carboidratos em excesso, bebidas em grande dose todo fim de semana e doces: esses itens faziam parte do meu dia a dia com um ingrediente especial: a ansiedade. Sempre tive que conviver com ela, quando criança me lembro de fazer tratamento homeopático para parar de comer chocolate, porque eu comia até passar mal, até acabar, até não aguentar.

A verdade é que eu não me sentia feliz. Parece pesada a frase e não posso reclamar de nada, MESMO! Tenho muitas memórias lindas da minha vida, mas sempre sentia aquela falta de algo. Durante muito tempo achei que o problema eram as pessoas ou a falta delas. Custei para entender que o vazio estava aqui dentro.

Não estar satisfeita consigo mesma é uma grande causadora da busca do prazer na comida. Em 2012, dois dias após meu aniversário, sofri um acidente que me fez ficar quatro meses totalmente sedentária. Entre vários fatores que me deixaram pessimista com o mundo, a única coisa que me restava era abrir a geladeira. Beber era refúgio e comer era saciedade “total”. Neste período engordei 6 quilos. Eu já não estava no meu peso ideal anteriormente e em dezembro atingi a marca dos 71,2kg nos meus 1,63cm de altura.

Atividade física era uma lamúria. Nas aulas de educação física da escola eu sempre era a mais preguiçosa que arrumava desculpas para não jogar. Nas brincadeiras com os amigos, a Ane era café com leite! Eu cresci, mas nada disso mudou.

 Há quatro anos atrás, descobri uma tal de resistência insulínica e ouvi do cardiologista sem nenhuma vaselina: “se você não enxergar a atividade física como se fosse um remédio, daqui dez anos, com toda certeza, você desenvolverá alguma doença irreversível.” Fiquei obviamente assustada e iniciei a musculação. Na época eu tinha um namorado e só ia para a academia se fosse com ele. Deixo clara essa minha dependência, pois TUDO era motivo para sabotar a malhação. Desde o fato de precisar de companhia até uma TPM, uma dor de cabeça inventada, o frio do inverno ou a simples preguiça. Eu mentia para mim mesma, como se precisasse me convencer que aquele dia realmente era impossível o “sofrimento” (exercícios físicos nada mais era que um momento ruim do dia). Mas eu precisava me exercitar, fiz exames que acusavam que essa resistência insulínica não havia sumido. E cadê a força para continuar? Por muito tempo eu entreguei os pontos.

A-cor-dar: o estalo mais importante da minha vida

Uns dias atrás li uma definição para a palavra “acordar”. Separa-se as sílabas e encontra-se a expressão “a cor dar.” Ou seja, dar cor a alguma coisa! Eu desejei acordar! Cheguei ao fundo do poço e lá a única alternativa era subir. Minhas roupas que já eram de tamanho G estavam apertadas. Eu tinha celulite no braço, um rosto inchado e uma pele horrorosa. Eu não queria mais sair de casa. E definitivamente, me entregar a uma depressão nunca foi muito minha cara.

Me vi sozinha. Finalmente entendi que não era vítima e que tinha autonomia para ir e vir. Percebi que “ser livre” vai muito além de independência. Eu desejei jogar fora o que não me fazia bem em todos os setores da vida, e entre eles estava a gordura. No fim do ano passado fiz amizade com uma pessoa que passei a admirar muito. Ela havia mudado seu modo de vida de uma forma incrível e aquilo me mostrou a luz no fim do túnel. Dentre vários pensamentos importantes que aprendi com ela, existe um que me marcou significativamente: “A gordura em excesso no nosso corpo é uma capa protetora. O que você está tentando esconder?”

Em dezembro passei o mês inteiro refletindo, bebendo e comendo, sentindo meu corpo inchando e pensando: isso está acabando. Eu queria terminar de aproveitar o meu prazer sem limites porque já tinha determinado que seus dias estavam contados.

No dia 31 passei o reveillon em uma festa. Antes dessa festa, tirei uma foto no espelho do hotel e prometi pra mim mesma: “31 de dezembro de 2013 vou tirar uma foto igual, porém serei uma outra Ane. Eu vou ter o corpo que sempre sonhei!” E minha meta era perder 10kg em 12 meses. Mal sabia eu o que estaria por vir. A única certeza que eu tinha era que eu queria dar cor à minha vida!

O grande segredo da transformação

Essa semana viram minhas fotos de antes e depois e perguntaram se fiz redução de estômago. As pessoas têm a esperança de ouvir algo revolucionário. Como disse uma amiga, a pílula do emagrecimento! Não! Só existe mesmo a luta diária. É a matemática pura e simples do “atividade física + reeducação alimentar”.

Eu fiz uma coisa que não indico para ninguém: no primeiro fim de semana de 2013 encarei uma greve de fome. Não comi nada! É loucura, mas eu me sentia tão inchada e intoxicada que queria tirar de mim tudo aquilo que me empanturrava. Passei uma fome de doer! Como havia ido a uma nutricionista há uns anos atrás, nesse mesmo fim de semana peguei a dieta que ela tinha feito para mim e fiz minha primeira compra de supermercado.

Foi uma mudança radical de alimentação. Cortei refrigerantes, comprei alimentos integrais e lights, chás e comecei a me alimentar regradamente a cada 3 horas. Engraçado como passei aos pouquinhos a achar gostoso tudo aquilo tão saudável. Antigamente não existia um verdinho no meu prato e hoje em dia metade dele é de matinhos saborosos. Me interessei por entender a composição e os benefícios dos alimentos, o que me fez me sentir muito bem. Ou seja, minha relação com a comida mudou: a Ane de antes comia o que achava saboroso e a Ane de hoje come o que vai deixar o organismo feliz! E que claro que não passo vontade de comer nada. Diminui 70% o consumo de bebida alcoólica, mas ainda bebo quando dá vontade. Troquei o chocolate ao leite em doses cavalares diárias pelo pequeno quadradinho de chocolate amargo com menta que derrete deliciosamente na boca. Substitui o x-tudo super gordo pelo pão integral com saladas, hambúrguer de peru e pimentas. Cortei definitivamente o refrigerante e o suco de caixinha que não me fazem falta nenhuma. O paladar aprecia o sabor, assim a saciedade aparece mais rápido. Tudo é questão de equilíbrio. Exageros de um churrasco promovem equilíbrio no dia seguinte, porque meu corpo não aceita mais um exagero de gorduras.

Falando em disciplina, tive que abdicar de algumas coisas. A minha vida social acalmou consideravelmente. É necessário um sono profundo e regrado. E confesso que passei a me sentir bem melhor quando troquei a noitada na rua com a ressaca do dia seguinte por acordar um domingo cedinho e correr. Minhas vontades mudaram. Hoje cuido muito melhor do meu cabelo e da minha pele – foi um conjunto de mudanças de hábitos diários que estão surtindo efeitos positivos.

 Enfim, em 4 meses eliminei 6kg, com atividade física intensa: 4 vezes por semana musculação, 2 vezes Zumba Fitness e no sábado e domingo, corrida! Além disso, faço drenagem linfática uma vez por semana.

Decidi ter o acompanhamento de um nutricionista esportivo, e em dois meses eliminei mais 4kg. Conclusão? Em 6 meses foram embora os 10kg da minha meta! Na metade do tempo eu atingi meu objetivo inicial e saí do sobrepeso! Estamos em agosto e já se foi mais 1kg. Ou seja, meu peso hoje é 60kg.

Mas nem tudo são flores, descobri uma condromalácia patelar no joelho direito, passei por um procedimento cirúrgico e fiquei internada quatro dias no hospital. Tudo isso me fez diminuir consideravelmente o ritmo dos exercícios e procurar um acompanhamento profissional. Como eu acredito que nada na vida acontece por acaso, hoje me sinto muito mais segura de ter um personal trainer e um nutricionista esportivo. Os exercícios são executados de forma correta e mais bem aproveitados. Passei a ter prazer na atividade física! Ela libera endorfina, e eu achava que era bobagem essa prosa de hormônio. Descobri que é uma sensação muito gostosa o pós-treino. E descobri também que nenhuma barreira vai me impedir de chegar onde quero.

Se existe um segredo é a mudança da mente. Se você substituir o prazer da comida pela delícia de colocar uma roupa e se sentir linda, não há sacrifício. Tenho pequenas vitórias todos os dias. Comprei um vestido tamanho P, uma calça 38, perdi meu guarda-roupa inteiro, entrei no velho short jeans e encarei ir em uma festa com ele sem me sentir mal! Cada vez que coloco uma roupa justa que fica bonita, eu comemoro com muita satisfação. Cada dia que escuto um elogio, vejo que estou no caminho certo.

Ou seja, O QUE VOCÊ QUER PARA SUA VIDA? GOSTA DO QUE VÊ NO ESPELHO? COMO ENXERGA A COMIDA? POR QUE VOCÊ COME DESSA FORMA? QUE BENEFÍCIO VOCÊ TEM ASSIM?

 A amizade e o movimento saudável

Em 2012, havia muitas pessoas à minha volta insatisfeitas. Assim como eu, a maioria acima do peso e com a autoestima lá no pé. Eu tenho muita sorte! Pois todas elas tiveram o mesmo propósito que eu: O ano de 2013 será diferente! Já estamos em agosto e ninguém desistiu da mudança. Tenho amigas que se apoiaram nas redes sociais e hoje fazem grande sucesso! Faço parte de um grupo no facebook que troca experiências de vida saudável e assim a força de vontade aumenta. Também tenho um amigo que diariamente me empurra pra frente e faço o mesmo em troca. E assim estamos conquistando resultados incríveis!

Eu sinto muito orgulho de ter conseguido chegar onde estou hoje. Mas esse orgulho é mais completo por saber que tenho parceiros no mesmo barco. De acordo com pesquisas, se você tem uma amiga que se alimenta de forma saudável, as chances de você fazer o mesmo é três vezes maior. Dessa forma eu me sinto cúmplice, comprometida e em par!

Onde estou e para onde vou

É importante colocar metas de curto prazo: uma festa, um ensaio fotográfico, um evento. Essas metas dão gás e nos motivam no alcance dos resultados. Da mesma forma, não deve-se perder de vista a essência de todo esforço, ou seja, trata-se da meta de longo prazo. Claro que em alguns momentos nos sentimos fracos e pensamos em desistir. E nessas horas eu olho a minha trajetória e penso: “Olha aonde cheguei, tudo que já conquistei! Desistir não é palavra do meu dicionário!”

Mas enfim, ainda estou longe do que considero ideal. Quero poder colocar um biquini tranquilamente na frente das pessoas e não me sentir constrangida. E para isso, obviamente tenho disciplina. Mas, principalmente, internalizei a mudança: aquela Ane não cabe mais aqui. Mente sã, corpo são.

Juntamente com a mudança física, estou conquistando várias transformações emocionais. Sou uma pessoa mais segura até na forma de andar. Tomei decisões que não achava capaz e me sinto realmente confiante. Sou vista como corajosa por pessoas próximas e tenho muito orgulho disso. Literalmente tenha as rédeas da minha vida na mão! O que eu aparentava ser, hoje sou. E o mais bonito dessa história é me sentir feliz sem precisar de algo externo. Compartilho alegrias diariamente, mas ter ‘plenitude’ é incrível – a vida cabe no instante presente e não sinto falta de nada. 

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A amizade em prol da saúde (Emagrecendo #cazamigas!)

No fim de 2012 eu já compreendia melhor minha compulsão e minhas dificuldades e resolvi que queria mudanças para 2013. Eu sabia que queria emagrecer, mas não sabia por onde começar!

Nesta época amigas queridas criaram um grupo no Facebook para compartilhar informações sobre alimentação saudável, atividade física e emagrecimento. Lá estava eu pensando no futuro enquanto comia uma barra de chocolate e apareciam as notificações: “Quais atividades vocês praticam no momento?” “Quem está correndo?” “Vamos compartilhar o peso eliminado do mês!” “Chá de gengibre é ótimo!”

Em um certo dia eu li toda aquela empolgação das meninas pela vida fitness e cai em prantos! Me sentia muito diferente e cheguei a escrever para elas que pretendia sair do grupo, pois me sentia um peixe fora d’água! Não tinha nenhuma super mulher fitness, mas eu era a única obesa, pesando mais de 100 kg. Elas não me deixaram sair e me abraçaram!

Como eram parceiras de anos, comecei a desabafar e expor minhas dúvidas e desejos. Falei sobre a cirurgia bariátrica e todas começaram a pesquisar comigo sobre o assunto. Desisti da cirurgia e começamos, juntas, a busca por um profissional de nutrição. Cada passo que eu dava recebia incentivos e muito carinho!

O mais legal é que por mais que todas já estivessem, de alguma forma, buscando mais qualidade de vida, sinto que a minha busca serviu de trampolim motivacional! Deste grupo, 3 mulheres especiais abraçaram com força a causa, e os brindes de ano novo prometiam o Reveillon 2013/2014 muito mais sarado e feliz! Promessas que viraram planos, metas, ações e resultados!

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